quarta-feira, 22 de julho de 2009

Entre hortas e pomares


Costumo comparar a gestão de uma empresa ao cultivo de uma grande área agricultável. A área de plantio, isto é, a área de planejamento, deve ser considerada em duas dimensões: uma para colheitas de curto prazo e outra para colheitas de médio e longo prazo.

O planejamento das colheitas de curto prazo deve levar em conta a semeadura, ou seja, a tomada de decisão operacional para desenvolver, controlar e aprimorar processos e rotinas de trabalho que otimizem os resultados para hoje. É uma questão da sobrevivência e manutenção da organização no mercado.

O planejamento das colheitas de médio e longo prazo deve levar em conta o plantio de mudas, o que quer dizer, a tomada de decisão estratégica para consolidar a organização, mantê-la competitiva e em prontidão para mudanças contínuas.

Vem do campo a melhor lição para a compreensão do gerenciamento de um negócio.
É sabido que o agricultor, ao plantar os laranjais e cafezais, aproveita os corredores para a semeadura de feijão, do milho, da mandioca e outras culturas de curto prazo.

A inteligência do planejamento está aí: enquanto se planta cafezais e laranjais para uma colheita futura- 3 a 5 anos, planta-se hortaliças e cereais para colheita imediata.

O agricultor sabe que ele e a família não podem esperar 3-5 anos para colher, vender e comprar o sustento. Por isso lança mão das culturas de curto prazo, de onde separa a parte necessária para a sobrevivência, negociando o excedente para investir especialmente na cultura de longo prazo, onde ele aposta ganhar mais dinheiro.

Assim são as organizações proativas. Elas buscam colheitas mais expressivas; dão manutenção às mudas plantadas; preparam novas e melhores mudas para serem replantadas; investem em laboratórios para melhorar a qualidade e a produtividade das mudas; utilizando defensivos para prever e combater as ações predatórias; enfim, antecipam-se às mudanças econômicas, tecnológicas; inovam e apostam no futuro. Essas empresas sabem que é preciso olhar o presente com os olhos do futuro.

Ao contrário disso, as organizações conservadoras e defensivas se apegam aos seus ¨canteiros¨ de hortaliças e cereais para garantir a sobrevivência imediata. São ocupadas demais para ir além do planejamento do mês, do semestre ou do ano. Ficam apenas visionarizando, ou seja, olhando o futuro com olhos de presente Ficam tão somente desejando aquilo que as empresas pioneiras já estão empreendendo há algum tempo.

Ocorre que, infelizmente, uma grande parte das empresas apresenta postura de miopia e, como efeito colateral, aversão em relação ao plantio dos pomares, isto é, rejeitam o planejamento para colheitas de médio e longo prazo. Apegam-se demais ao presente e ao passado.

Algumas velhas desculpas que ouvimos por aí são: ¨Eu preciso matar um leão por dia, apagar vários incêndios e vocês acham que eu tenho tempo de pensar o futuro?¨ “Esse filme eu já vi, pois fizemos um plano há cinco anos atrás na empresa, que não saiu da gaveta”, Não estamos conseguindo nem planejar a semana, quanto mais os próximos anos¨, “Temos alguns números para o ano e é o que basta ¨. Apenas desculpas para resistir às mudanças e continuar nesse ativismo tresloucado e improdutivo.

É preciso reconhecer que planejar ou não o futuro não é questão de escolha; é uma questão de ser escolhido. Se a organização não planejar o seu futuro, não será a médio e longo prazo, escolhida pelo mercado. Será demitida por ele.

É necessário mudar e implantar uma nova postura de planejamento em sua empresa. É importante continuar garantindo as colheitas de curto prazo investindo nas culturas de médio longo prazo. Se você já está fazendo isso, parabéns! Mas, se não estiver fazendo, lembre-se:
Você vai mudar de qualquer forma. Ou vai mudar por opção e com isso será puxado para cima e para dentro do mercado; ou vai mudar por pressão e com isso será empurrado para baixo e para fora do mercado.

A escolha é sua!

Nenhum comentário:

Postar um comentário