segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O DILEMA DA AGENDA




Era uma vez a Sra. AGENDA que morava no fundo de uma gaveta. Um dia, não agüentando mais de tanta solidão, procurou seu amigo o CUCO para desabafar:
- Estou me sentindo tão vazia!
E o CUCO que, todo orgulhoso, acabava de fornecer as horas para o MACAQUINHO respondeu-lhe:
- Minha amiga Sra. AGENDA! Embora hoje eu esteja sem muito tempo, vou lhe dar um conselho...
A Sra. AGENDA, toda esperançosa, olhou para CUCO e lhe disse:
- Diga logo meu amigo, pois preciso voltar logo para a gaveta, pois o meu dono está vindo ali...
E apontando para o Sr. SABÃO completou:
- Ele não gosta que eu fale com estranhos.
E o CUCO, entendendo o perigo que ela passava, mandou ver o seu conselho:
- Olha, Sra. AGENDA! Você precisa perder a timidez e se abrir para o Sr. SABÃO. Você tem qualidades que ele não está reconhecendo. Você tem mais qualidades que eu! Eu só tenho dias, horas e minutos. Você tem dias da semana, tem anotações, tem registros que eu não tenho...
E assim ficou o CUCO tecendo as dezenas de qualidades da amiga:
- E tem mais Sra. AGENDA! Você precisa ser valorizada. Veja o MACAQUINHO! Muita gente dá valor pra ele aqui na empresa. Mas o que ele faz a não ser viver nas costas do Sr. SABÃO? E sabe, por que ele se chama Sr. SABÃO? É porque ele fica escorregando para todo lado e acaba deixando todo mundo na mão!
E a Sra. AGENDA, que via o MACAQUINHO com certas reservas, pois lhe era um concorrente desleal, disse ao CUCO:
- Sabe! Eu acho que o Sr. SABÃO gosta do MACAQUINHO nas costas porque ele vai parecer sempre ocupado aos outros. Com o MACAQUINHO nos ombros o Sr. SABÃO só vai viver preocupado e não vai se ocupar com o que realmente ele precisa. E completou revoltada:
- É por isso que o Sr. SABÃO me deixa trancada na gaveta e só sai com o MACAQUINHO. Fica desperdiçando tempo por aí. Não comparece em reuniões. Não comparece com soluções, só com problemas. Fica sempre com aquela cara de cansado. Pudera! Carregando aquele MACAQUINHO gordo nos ombros só pode cansar, mesmo sem produzir nada. Eles se merecem!
E tanto desabafou a Sra. AGENDA que não percebeu a aproximação do Sr. SABÃO, que logo foi lhe falando todo autoritário:
- Volte logo para a gaveta!
E completou todo enciumado:
- Não quero ver você por aí se abrindo para qualquer um! Meu Deus! Não sei quem lhe inventou!Não sei quem colocou você em minha vida! Eu não te quero e não quero que ninguém ponha a mão em você! Você fica me expondo! Você fica me controlando! Você fica me perseguindo!Você me dá trabalho e os outros ficam me cobrando sua presença.
E, com o dedo em riste, sentenciou:
- Definitivamente, volte para a gaveta. Fique lá no descanso até a semana que vem. Isso se você se comportar direito!
A Sra. AGENDA, lembrando-se da dica do CUCO, antes de voltar para a gaveta, se arriscou:
- Sr. SABÃO preciso lhe falar antes de voltar para a gaveta!
E, buscando seduzir ao Sr. SABÃO, foi logo mostrando seus dotes um a um, sem falsas modéstias:
- Sr. SABÃO pode me usar à vontade! Sou eu que trabalho para o senhor e não o senhor que trabalha para mim. Sou que lhe espero de manhã para lhe servir de informações! Sou eu que lhe deixo espaços para seus descansos! Sou eu que lhe deixo espaços para seus estudos! Sou eu que lhe deixo espaços para seu trabalho! Sou eu que lhe deixo espaços para sua família! O senhor está sendo enganado pelo MACAQUINHO! O senhor está trabalhando para ele e não ele para o senhor. Ele quer mesmo que o senhor fique correndo pra lá e pra cá com ele nos ombros, pois quem aparece é ele e não o seu trabalho. Pode me usar Sr. SABÃO, o senhor vai ver! Vai sobrar mais tempo para o senhor fazer coisas importantes e até para cuidar do senhor mesmo, da sua qualidade de vida.
O MACAQUINHO, assistindo toda aquela cena de sedução da Sra. AGENDA e, percebendo que ia perder o emprego, retrucou:
- Sr. SABÃO, não dê ouvido a essa faladeira! Não gaste seu pouco tempo com ela! Veja como nós combinamos um com o outro. Juntos nós somos mais! Juntos nós matamos um leão por dia e ainda deixamos um reservado pra amanhã! Juntos nós temos um monte de coisas para fazer. Juntos nós temos uma pilha de papel para preencher e despachar a hora que der. Assim nós sempre teremos gente esperando por nós. Porque quem manda no nosso tempo somos nós! Não são os outros! Não são os clientes! Não são os concorrentes! Juntos vamos levando o serviço, quebrando um galho aqui, outro galho ali...
E, acreditando já ter convencido o Sr. SABÃO, o MACAQUINHO arrematou:
- Afinal, macaco gordo é pra quebrar o galho, porque macaco magro sempre paga o mico.
O Sr. SABÃO, após refletir muito sobre os argumentos da Sra. AGENDA e do MACAQUINHO, embora se sentisse atraído pelas facilidades do peludinho, tomou a sua decisão:
- Mais vale uma Agenda na mão do que dois Macacos no ombro!
Expulsou o MACAQUINHO quebra-galho de sua vida e passou a viver com a Sra. AGENDA. Sabe-se que a vida do Sr. SABÃO melhorou a partir desse dia e ele até ganhou uma promoção. Transformaram-se em dias mais felizes e produtivos, embora as dificuldades do cotidiano sempre lhe tenham desafiado ao lado da Sra. AGENDA. Quanto ao MACAQUINHO o que se sabe é que ele anda por aí de ombro em ombro ¨micando¨ a competência de muita gente. Até o CUCO mudou a sua opinião sobre o Sr. SABÃO e tem espalhado por aí elogios como este:
- O Sr. SABÃO agora é o líder ¨da hora¨!

VOZ DE COMANDO

Queremos aqui falar com os líderes sobre o uso da voz como ferramenta de comando. Com certeza você já passou pela experiência de líderes que usam corretamente a voz, com a tonalidade e emocionalidade adequada àquilo que estão falando.
Ao contrário você deve ter encontrado por aí alguns líderes que, embora tecnicamente bons, têm sérias dificuldades de influenciar suas equipes. Provavelmente esses líderes estão, entre outros problemas que podem estar relacionados a clima de trabalho, tendo dificuldades de falar com suas equipes. Como forma de ajuda a esses líderes, relacionamos aqui nove tipos de voz de comando adequados a cada circunstância:
1- Persuasão racional:
Voz pausada acompanhada de esquemas gráficos, visuais ou auditivos: usada para se fazer convencimento da equipe pela lógica dos números ou dos fatos. Nesse caso a voz reforça uma argumentação lógica e fatual para convencer as pessoas de que uma proposta tem probabilidade de atingir seus objetivos.
2- Apelo encorajador:
Voz acelerada, vibrante acompanhada de gestos exortativos. É usada para se fazer apelos mobilizadores. Nesse caso a voz apóia uma convocação que levanta o entusiasmo por meio do apelo aos valores, idéias e aspirações das pessoas, ou aumentando a autoconfiança delas.
3- Consulta:
Voz média acompanhada de olho no olho de cada membro da equipe. É usada para recolher sugestões, para buscar a participação da equipe no planejamento de uma estratégia, atividade ou mudança, ou oferecendo-se para mudar uma proposta em função das sugestões ou preocupações apresentadas pela equipe.
4- Sedução:
Voz baixa para média em tom cativante. As palavras devem ser pronunciadas olhando-se nos olhos da pessoa, com gestos comedidos. Também são usadas para tentar deixar a pessoa de bom humor, para deixá-la autoconfiante ou fazer com que simpatize com o as propostas e desafios do líder.
5- Troca:
Voz intercalada em tom médio e suave com tom baixo e insinuante. É usada para oferecer uma permuta de favores (não confundir com negociata ou corrupção). Deve mostrar boa vontade de agir reciprocamente mais tarde, ou prometer a partilha dos benefícios se a pessoa ajudar. O tom médio e suave usa- se para falar o que o líder pode fazer pela pessoa; o tom baixo e insinuante para falar o que o líder espera dessa pessoa.
6- Apelo Pessoal:
Voz baixa, confiante. É normalmente pronunciada em um ambiente reservado: usada para se fazer pedido pessoal, lembrando e reforçando os sentimentos de lealdade, compromisso e até amizade, antes de pedir alguma coisa.
7- Coalizão:
Voz firme, decidida, confiante, agregadora em tom de negociação. É usada para se construir alianças, procurar a ajuda de outros, para persuadir a pessoa ou um grupo a fazer algo, ou usar o apoio de outros como motivo para que ela concorde e se junte ao grupo.
8- Autoridade:
Voz dura (mas sem perder a ternura como diria Guevara), mais alta (mas sem gritar). Deve chamar para si a decisão (sem ser autoritário), para sacudir a pessoa (não massacrar ou humilhar). É usada para situações onde a autoridade deve prevalecer, ou direito legal de fazer a convocação porque é consistente com as políticas, regras, práticas ou tradições da organização.
9- Pressão:
Voz enérgica acompanhada de expressão facial e gestos que denotem menor abertura. Não deve significar mal humor e deve ser usada para exigir, ameaçar, cobrar, estabelecer sanções, para conseguir que a pessoa faça determinada coisa ou não repita algum tipo de transgressão.
Enfim, considere sempre que, associada a uma voz adequada ao que se pretende comunicar, em quais circunstâncias e para quem, a gesticulação, a emoção e o ambiente onde se processa a interlocução devem estar adequados às metas pretendidas.

O LÍDER ORADOR


De alguma forma, nas empresas, temos certa preferência por ¨gente que faz¨, por ¨líderes que acontecem¨ e, muitas vezes, torcemos o nariz para ¨gente que fala¨, para ¨líderes que não põe a mão na massa¨. A razão disto é o preconceito contra a fala, aquele preconceito expresso muitas vezes como ¨ quem quer faz, quem não quer manda ( isto é, fala)!¨, ou ¨ nós viemos aqui pra conversar ou pra trabalhar?¨.
A verdade é que o ativismo não é sinônimo de produção, nem o silêncio é sinal de concentração e produtividade. A comunicação é importante, sempre foi e será na empresa e a comunicação verbal sempre será a ferramenta essencial, que pode ser reforçada pela comunicação impressa, áudio-visual, eletrônica e virtual, mas nunca substituída.
A comunicação verbal integra a agenda dos líderes, desde um líder de Estado até o líder em uma micro empresa, com um número cada vez maior de contatos diários em reuniões formais ou ¨ao pé da máquina¨, palestras orientativas ou exortativas, reuniões, recados, bate-papos, ordens, contra-ordens, etc. O que se percebe, entretanto, é que muitos líderes são peritos em seus ramos de trabalho, possuem anos de ¨janela¨ no seu ramo, outros até se especializaram, mas quando necessitam expor seus conhecimentos, habilidades e comandos, o fazem de maneira tão inadequada pela dificuldade de se expressarem clara, entusiasmada e objetivamente, que os liderados ficam literalmente sem saber o que fazer, desmotivados e até decepcionados.
Muitos líderes desavisados acham falar é fácil, que é só abrir a boca e "soltar o verbo", mas não é bem assim. Durante minha trajetória profissional já ministrei curso de Técnicas de Comunicação Verbal para mais de trinta turmas e, tradicionalmente, a base de qualquer apresentação, seja no palanque, seja em uma reunião de diretoria, seja no ¨chão de fábrica¨ requer o treinamento de quatro habilidades essenciais que tornarão o líder um ¨orador eficaz¨:
1- Postura
O líder orador deve sempre evitar a postura displicente, como: falar sentado na cadeira ou encostado em alguma coisa; não se sentar sobre a mesa; seu olhar deve percorrer sempre todos os liderados e, quando for apenas um, falar olhando ¨olho no olho¨; evitar maneirismos ou tiques nervosos como se coçar, esfregar as mãos, passar a mão no nariz, nos cabeços, etc. Na postura o líder orador deve desenvolver bem o controle da fala especialmente pela visão e pelos gestos, mãos, cabeça, braços e o modo de andar.
2- Dicção
O líder orador deve cuidar também de sua dicção, ou seja, da arte de dizer corretamente e bem as coisas combinando tom de voz, timbre, volume, pronúncia e ênfase. Assim, por exemplo, num momento de entusiasmo, de alegria e de emoção o tom de voz deve ser o do encerramento da fala, momento em que se apela para esses sentimentos; temas delicados pedem voz suave clara e agradável; as solenidades exigem um bom timbre de voz, isto é, volumosa e declamatória, etc. Muitos líderes precisam educar sua voz para melhor convencer seus liderados.
3- Conteúdo
O líder deve planejar a sua fala: início, meio e fim. De preferência iniciando a fala com dados concretos e não com sentimentos. Exemplo de dado concreto: a sua produção caiu. Exemplo de sentimento: estou chateado com você. O fim da fala do líder deve prever as medidas a serem tomadas que serão pauta do início de um próximo encontro de avaliação.
4- Argumentação
Alguns líderes têm problemas de hipertonia vocal, isto é falam alto em demasia; outros têm problemas de hipotonia vocal, isto é, falam muito baixo. Outro problema que atrapalha a argumentação do líder é o fato de perguntar ao liderado, ao final da sua fala: “Você entendeu o que eu disse?” Normalmente o liderado responde “Sim”. O líder deve nesse caso, especialmente nos casos mais complexos e quando se tratar de funcionários novatos, dizer: “Repita para mim o que você entendeu.”
Espero que você tenha entendido que ¨falar e comandar bem¨ não é uma qualidade inata do líder; pode ser treinada e desenvolvida.