segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O LÍDER ORADOR


De alguma forma, nas empresas, temos certa preferência por ¨gente que faz¨, por ¨líderes que acontecem¨ e, muitas vezes, torcemos o nariz para ¨gente que fala¨, para ¨líderes que não põe a mão na massa¨. A razão disto é o preconceito contra a fala, aquele preconceito expresso muitas vezes como ¨ quem quer faz, quem não quer manda ( isto é, fala)!¨, ou ¨ nós viemos aqui pra conversar ou pra trabalhar?¨.
A verdade é que o ativismo não é sinônimo de produção, nem o silêncio é sinal de concentração e produtividade. A comunicação é importante, sempre foi e será na empresa e a comunicação verbal sempre será a ferramenta essencial, que pode ser reforçada pela comunicação impressa, áudio-visual, eletrônica e virtual, mas nunca substituída.
A comunicação verbal integra a agenda dos líderes, desde um líder de Estado até o líder em uma micro empresa, com um número cada vez maior de contatos diários em reuniões formais ou ¨ao pé da máquina¨, palestras orientativas ou exortativas, reuniões, recados, bate-papos, ordens, contra-ordens, etc. O que se percebe, entretanto, é que muitos líderes são peritos em seus ramos de trabalho, possuem anos de ¨janela¨ no seu ramo, outros até se especializaram, mas quando necessitam expor seus conhecimentos, habilidades e comandos, o fazem de maneira tão inadequada pela dificuldade de se expressarem clara, entusiasmada e objetivamente, que os liderados ficam literalmente sem saber o que fazer, desmotivados e até decepcionados.
Muitos líderes desavisados acham falar é fácil, que é só abrir a boca e "soltar o verbo", mas não é bem assim. Durante minha trajetória profissional já ministrei curso de Técnicas de Comunicação Verbal para mais de trinta turmas e, tradicionalmente, a base de qualquer apresentação, seja no palanque, seja em uma reunião de diretoria, seja no ¨chão de fábrica¨ requer o treinamento de quatro habilidades essenciais que tornarão o líder um ¨orador eficaz¨:
1- Postura
O líder orador deve sempre evitar a postura displicente, como: falar sentado na cadeira ou encostado em alguma coisa; não se sentar sobre a mesa; seu olhar deve percorrer sempre todos os liderados e, quando for apenas um, falar olhando ¨olho no olho¨; evitar maneirismos ou tiques nervosos como se coçar, esfregar as mãos, passar a mão no nariz, nos cabeços, etc. Na postura o líder orador deve desenvolver bem o controle da fala especialmente pela visão e pelos gestos, mãos, cabeça, braços e o modo de andar.
2- Dicção
O líder orador deve cuidar também de sua dicção, ou seja, da arte de dizer corretamente e bem as coisas combinando tom de voz, timbre, volume, pronúncia e ênfase. Assim, por exemplo, num momento de entusiasmo, de alegria e de emoção o tom de voz deve ser o do encerramento da fala, momento em que se apela para esses sentimentos; temas delicados pedem voz suave clara e agradável; as solenidades exigem um bom timbre de voz, isto é, volumosa e declamatória, etc. Muitos líderes precisam educar sua voz para melhor convencer seus liderados.
3- Conteúdo
O líder deve planejar a sua fala: início, meio e fim. De preferência iniciando a fala com dados concretos e não com sentimentos. Exemplo de dado concreto: a sua produção caiu. Exemplo de sentimento: estou chateado com você. O fim da fala do líder deve prever as medidas a serem tomadas que serão pauta do início de um próximo encontro de avaliação.
4- Argumentação
Alguns líderes têm problemas de hipertonia vocal, isto é falam alto em demasia; outros têm problemas de hipotonia vocal, isto é, falam muito baixo. Outro problema que atrapalha a argumentação do líder é o fato de perguntar ao liderado, ao final da sua fala: “Você entendeu o que eu disse?” Normalmente o liderado responde “Sim”. O líder deve nesse caso, especialmente nos casos mais complexos e quando se tratar de funcionários novatos, dizer: “Repita para mim o que você entendeu.”
Espero que você tenha entendido que ¨falar e comandar bem¨ não é uma qualidade inata do líder; pode ser treinada e desenvolvida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário